sábado, 2 de agosto de 2014

Brincando de boneca

Quando eu era criança, adorava brincar com bonecas de papel. Tinha muitas, com seus vestidos, chapéus, cada uma com seus trajes para todas as ocasiões. Acho que brinquei com elas até quase quinze anos de idade. Depois, não sabia o que fazer com tanta bonequinha. A caixa ficou pra lá, guardada em algum canto da casa. Nem sei que fim levou. Lembrei-me das minhas bonecas de papel quando recebi o primeiro risco de bordado do segundo desafio da Nina Dias, do Tecido Floridos. No primeiro desafio, bordei lindos riscos da Anni Downs, e alguns viraram almofadas, que já estão na casa da Helena e na da Norma, minha nora (juro que ainda vou fazer uma pra mim).

Esta está na casa da Helena

O tema do novo desafio é a Sunbonnet Sue, aquela bonequinha com o rosto escondido por uma touca ou chapelão. Aliás, é o que o nome significa: sun = sol + bonnet = gorro, chapéu. Seria "Susan (Sue) com chapéu de sol"?
A Wikipedia me informa que a bonequinha apareceu pela primeira vez na Inglaterra, em 1876, em livros infantis escritos e desenhados por Kate Greenaway. O desenho é do seu livro Marigold Garden, de 1892:


Em 1902, a escritora e ilustradora note-americana Bertha Cobbert  publicou o livro "The Sunbonnet Babies", com ilustrações de meninos e meninas com o rosto coberto pelos chapéus.


Foi com as ilustrações de Bertha Cobbert que as bonequinhas se popularizaram. Encontrei esta página, com um estudo bem completo sobre as Sunbonnet Sues: A Little About Sunbonnet Sue.

Fiquei tão entusiasmada com o risco (Ah! As pequenas coisas da vida que tanta alegria nos dão!), que fiz duas versões. Foi aí que comecei a me lembrar das minhas bonequinhas (a escolha dos vestidos, em que ocasiões seriam usados, vestido de festa, de andar em casa, de ir à aula - eu brincava muito!)


A primeira versão foi esta:



Em vez de fazer o redwork tradicional, resolvi colorir minha Sunbonnet Sue. Apliquei um tecido estampadinho, combinei o chapéu com o vestido. Depois, achei que o avental tinha ficado muito "descampado"; então, coloquei um bolsinho do mesmo tecido do vestido. Escolhi cores diferentes para as flores. O gatinho é uma homenagem a um dos muitíssimos gatos que passaram pela casa onde a Helena foi criada (e onde mora agora). Era o Tocha, assim chamado por sua cor de um ruivo vibrante.
A segunda versão surgiu por causa do avental "descampado":


Mantive o tecido estampadinho e bordei tudo em vermelho, exceto o gato, que não é um gato, mas uma gata - a Virgulina. Certo dia, a Helena e o Guto estavam no jardim. Viram uma pelotinha preta encolhida na grama. Era um gatinho bem novinho; a Helena disse que parecia um ponto. Seria seu nome: Ponto. Mas o pai viu que era uma gatinha. Então a Helena disse que podia se chamar Vírgula, que acabou virando Virgulina, apelidada depois de Bigo. 
Vamos ver o que mais virá com os novos desenhos. Foi bom recordar minha infância e brincar um pouquinho de boneca.
(por Cecilia)

4 comentários:

Rita disse...

Ah, Cecília! Posso dizer que o que foi bom mesmo foi ler seu post! Que delícia de texto, que lindeza de bordados! Também me lembrei das minhas bonecas (ainda tenho muitas guardadas) e das gravurinhas que eu recortava para enfeitar os cadernos da escola...
beijos e tudo de melhor para vocês!
Rita

simone arrais disse...

Oi Cecília! Que post delicioso! No meu quarto da infância havia um poster grande com estas fofuras, tão românticas! Seu bordado ficou lindo e adorei a "quebra" do tradicional red work. Parabéns, adoro o jeito como você se aprofunda nas delicadezas da vida. Bjs, bjs!

Lia Gloria disse...

Eu também brinquei com bonecas de papel até os 14 anos. Minha filha também brincou, estimulada por mim. Mas por pouco tempo.

Teus trabalhos são sempre carregados de belas memórias e histórias.
Muito gostoso saber o processo de criação deles.
Trabalhos belos!

bjs

Paulinha ornague disse...

ola, Cecilia, acho essas bonequinhas uma graca, adorei seu blog e o bordado ficou de uma delicadeza, parabens e um lindo dia!
http://ornague.blogspot.com.br/