terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Elucubrações num dia chuvoso de janeiro

Janeiro já vai terminando ... Nossos votos de Feliz Natal ainda estão vivos na última postagem de 2014. Muita coisa tem acontecido, e pretendo, pouco a pouco, ir colocando nossas conversas em dia. A Helena está recarregando as baterias, lá em Floripa - ela merece!

Praia do Matadeiro
Enquanto isso, aqui em Brasília, continuo bordando, lendo, escrevendo ... enfim, fazendo as coisas de que tanto gosto. Hoje, olhando as fotos do Instagram da Helena, fiquei pensando que bastam pequeninas coisas para que a gente dê uma olhadinha no passado. E nos lembramos de pessoas que foram importantes na nossa vida e que contribuíram para compor a nossa colcha existencial.
A Helena herdou a caixa de costura da avó paterna, a D. Giselda, ou a vó Zolda, como a Helena a chamava, quando pequenina (acho que "Giselda" deve ser mesmo difícil para uma menininha). Vamos ver o que ela encontrou:

Os tesouros da vovó Zolda
Elucubrações: que chave será essa? Que porta abriria? Seria uma porta? Uma caixa?
Os carretéis? Seriam ainda da mãe da D. Giselda? Por que pensei isso? Não poderiam ser da D. Giselda mesmo? E a lâmina de barbear? Tem quem ainda se lembre? Ainda existe?

Como a Helena escreveu: "Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim ... Todos os santos da vovó."


A resposta para a chave, acho que nunca teremos, salvo se o pai da Helena se lembrar de alguma coisa. Quanto à lâmina de barbear da marca Gillette (que servia também para raspar os pelos das axilas, das pernas - antes de surgirem os diversos tipos de depiladores) passou a designar qualquer tipo de lâmina e passou a se escrever "gilete". E passou a significar outras coisas também ... Ainda existe? Fiquei surpresa: vejam aqui.
Por que pensei que os carretéis não seriam dela? A D.Giselda não era das artes manuais; evidentemente, sabia pegar na agulha para fazer uma bainha ou para fazer pequenos reparos. As artes da D. Giselda eram outras. Violinista e cantora, foi menina-prodígio no piano, lá no interior de Minas. Foi ainda muito jovem para o Rio de Janeiro, onde estudou violino na Escola de Música da Universidade do Brasil, hoje UFRJ. Lá conheceu um violoncelista e com ele se casou. O canto veio depois de casada. Numa época em que não era muito usual uma senhora de família sair à noite para trabalhar, ela chegou a tocar numa orquestra de uma Rádio do Rio. Mas não continuou e passou a dar aulas em casa e a estudar canto. Participou ativamente da vida musical do Rio de Janeiro como cantora de câmara e de ópera. Sempre achei a D. Giselda uma mulher à frente do seu tempo. Esposa, dona de casa, mãe e artista. Que difícil! 
A Helena e o Guto começaram a estudar música com ela. Como eles gostavam! E ainda tinha a torta de limão de quebra! Devo a ela a ausência da rouquidão que me acometia depois das aulas - os exercícios eficientíssimos de impostação de voz e de canto me salvaram. Devo isso a ela!

Esta foto ilustrava os programas de seus recitais
Bem disse a Helena: "Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim". D. Giselda continua viva no filho, nos netos, nas pequeninas coisas que deixou na caixa de costuras, nas fotos, nas gravações recuperadas pelo neto Augusto e pelo filho Antonio (gravação feita em 1962):




Recordar é viver. Viver é bom. Recordar é bom.

(por Cecilia, feliz que a Helena tenha tido uma avó assim)


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Nossos votos de Feliz Natal

O meu presépio:


O presépio da Helena:


Este ano temos os cupcakes da Helô, com a cara do Rudolph:


Acho que todo mundo conhece o Rudolph, não?


E a canção?

É verdade que se trata de um Natal de inverno, nada parecido com o nosso, mas a canção é emblemática!

Achei no You Tube esta canção linda e quero compartilhá-la aqui - Noël des enfants du monde - :



E esta bem brasileira, com o Roupa Nova, de autoria do Maurício Gaetani

 Que o Natal comece no seu coração
Que seja pra todos, sem ter distinção
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for
O melhor presente é sempre o amor




O papa Francisco abraça o rabi Abraham Skorka e o iman Omar Abbud
Feliz Natal! Paz entre as nações! Paz na terra aos homens de boa vontade!

(por Cecilia)



domingo, 9 de novembro de 2014

Elucubrações: Renoir e as meninas de rosa e azul

Este quadro do Renoir vem, ultimamente, ocupando meu pensamento e me fazendo elucubrar muito. Posso dizer, então, que ele passou a fazer parte da minha colcha existencial - mais um retalho entre tantos outros. Quem são essas meninas? Qual a sua história? Por que foram retratadas?

Les Demoiselles Cahen d'Anvers - Rose et Bleue - 1881



As informações sobre as meninas chegaram a mim por duas fontes: a Helena e um livro chamado "A lebre com olhos de âmbar", de Edmund de Waal.
As meninas, Elizabeth - azul - e Alice - rosa -, eram filhas de um banqueiro, na Paris da Belle Époque. O quadro foi encomenda da família, e Renoir retratou mais alguns membros da família.
A Helena comentou sobre o quadro e sobre a história das meninas quando a escola de balé que a Helô frequenta montou um espetáculo que recriava quadros famosos. A Helô representou uma das meninas. Evidentemente as roupas foram adaptadas, e a referência ao quadro se mostrava nas fitas que rodeavam as cinturas das bailarinas. Muito lindo!

Escola de Dança Monica Maia

No livro, o autor conta a história da sua família ( não é ficção, é uma história verdadeira), de banqueiros provenientes da Ucrânia, que se estabeleceram, uma parte, em Paris, outra parte, em Viena - os Ephrussi.
O que aconteceu foi o seguinte: um dos Ephrussi (Charles) era um mecenas e patrocinava muitos dos pintores da época, seja comprando seus quadros, seja recomendando-os a amigos ricos como ele. Renoir estava precisando de dinheiro, então Charles recomendou-o à família Cahen d'Anvers. Edmund de Waal conta todos os detalhes no livro. 
Parece que a família não gostou muito do quadro, porque custaram a pagar os 1.500 francos que o pintor pediu. Foi preciso que Degas escrevesse um bilhete a Charles Ephrussi, lembrando-lhe o pagamento. Isto tudo está com detalhes no livro.
Mas o que mais me comoveu foi o fim da menina de azul: "Então, terrivelmente, uma nota entre colchetes diz que a menina de vestido azul no retrato de Renoir das filhas de Louise Cahen d'Anvers - encomenda ansiosa e infinitamente arranjada por Charles para levantar dinheiro para Renoir - havia sido deportada e morrera em Auschwitz" (do livro de Edmund de Waal).
Procurei no Google e achei um relato completo sobre o quadro, na Wikipedia : Rosa e Azul (Renoir).
Para quem ama Paris e Renoir e as histórias da Belle Époque - o quadro foi pintado no nº 66 da Avenue Montaigne, onde os Cahen d'Anvers moravam desde 1873. Charles Ephrussi morava no nº 81 da Rue de Monceau.
A obra está atualmente no MASP ( Museu de Arte de São Paulo).
Recomendo vivamente a leitura do livro: A lebre com olhos de âmbar - Edmund de Waal. Certamente este livro também faz parte da minha colcha existencial.



(por Cecilia - pensando que ainda há mais a elucubrar sobre Renoir e sobre o livro)


terça-feira, 23 de setembro de 2014

E ela chegou ...

A primavera! Uma das minhas estações preferidas ... Várias vezes tenho declarado aqui o meu amor pela primavera e pelo outono. Numa postagem de 2011 (Chegou setembro!) falo sobre essa minha preferência.
Hoje, inspirada por algumas fotos da Helena, não posso deixar de declarar de novo meu amor por essa estação mágica.


Livros e flores, cada qual com seu perfume ...



A flor e o amor ...



Rosinha sozinha se mostra feliz ...
Cravinas rosadas se escondem risonhas...



A azaleia se mistura ao manacá pra mostrar o jardim de Frida ...

E, como disse Vinícius: ... a poesia só espera ver nascer a primavera, para não morrer ...



(por Cecilia, em momento de inspiração floral e musical)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Minha mantinha de crochê

Estou de volta para o meu aconchego do Rio, no meu querido Bairro Peixoto. Friozinho gostoso, com solzinho tímido pela manhã. Fico me lembrando da mantinha de crochê, em ponto zigzag, que deixei em Brasília. Pensei em fazer uma pra cá também. Mas já me envolvi em alguns projetos - a volta ao meu grupo de cultura sefaradi , o Angeles y Malahines; a continuação das sessões de fisioterapia, por causa da lesão do menisco (e nem assistir a jogos de futebol eu assisto!!!); aulas de bordado - sempre é bom fazer uma reciclagem ... Vamos deixar a ideia da manta em paz. Vamos bordar.
A manta é esta:

Sempre tive vontade de fazer uma dessas mantas. Quando a vi num dos episódios de Mad Men, minha vontade voltou com força.


Procurei receitas na internet (no google, coloquei "ponto zigzag em crochê"); juntei meus novelos de lã e mandei ver.
A Helena também me falou que aparecia na série The Middle:



Para terminar, uma palavrinha sobre o grupo Angeles y Malahines de Cultura Sefaradi. O grupo tem por objetivo manter as tradições dos judeus expulsos em 1492 da Espanha, e, em 1497, de Portugal, por meio de canções. "Angeles y Malahines" é uma bênção (bendicho, em ladino) que se diz às pessoas que vão fazer uma viagem ou iniciar uma empreitada. O nome mostra a origem da língua falada por essa etnia: do latim (angeles) e do hebraico (malahines). As duas palavras querem dizer a mesma coisa - anjos, mensageiros). Que os anjos protejam os nossos caminhos!
(por Cecilia)

sábado, 2 de agosto de 2014

Brincando de boneca

Quando eu era criança, adorava brincar com bonecas de papel. Tinha muitas, com seus vestidos, chapéus, cada uma com seus trajes para todas as ocasiões. Acho que brinquei com elas até quase quinze anos de idade. Depois, não sabia o que fazer com tanta bonequinha. A caixa ficou pra lá, guardada em algum canto da casa. Nem sei que fim levou. Lembrei-me das minhas bonecas de papel quando recebi o primeiro risco de bordado do segundo desafio da Nina Dias, do Tecido Floridos. No primeiro desafio, bordei lindos riscos da Anni Downs, e alguns viraram almofadas, que já estão na casa da Helena e na da Norma, minha nora (juro que ainda vou fazer uma pra mim).

Esta está na casa da Helena

O tema do novo desafio é a Sunbonnet Sue, aquela bonequinha com o rosto escondido por uma touca ou chapelão. Aliás, é o que o nome significa: sun = sol + bonnet = gorro, chapéu. Seria "Susan (Sue) com chapéu de sol"?
A Wikipedia me informa que a bonequinha apareceu pela primeira vez na Inglaterra, em 1876, em livros infantis escritos e desenhados por Kate Greenaway. O desenho é do seu livro Marigold Garden, de 1892:


Em 1902, a escritora e ilustradora note-americana Bertha Cobbert  publicou o livro "The Sunbonnet Babies", com ilustrações de meninos e meninas com o rosto coberto pelos chapéus.


Foi com as ilustrações de Bertha Cobbert que as bonequinhas se popularizaram. Encontrei esta página, com um estudo bem completo sobre as Sunbonnet Sues: A Little About Sunbonnet Sue.

Fiquei tão entusiasmada com o risco (Ah! As pequenas coisas da vida que tanta alegria nos dão!), que fiz duas versões. Foi aí que comecei a me lembrar das minhas bonequinhas (a escolha dos vestidos, em que ocasiões seriam usados, vestido de festa, de andar em casa, de ir à aula - eu brincava muito!)


A primeira versão foi esta:



Em vez de fazer o redwork tradicional, resolvi colorir minha Sunbonnet Sue. Apliquei um tecido estampadinho, combinei o chapéu com o vestido. Depois, achei que o avental tinha ficado muito "descampado"; então, coloquei um bolsinho do mesmo tecido do vestido. Escolhi cores diferentes para as flores. O gatinho é uma homenagem a um dos muitíssimos gatos que passaram pela casa onde a Helena foi criada (e onde mora agora). Era o Tocha, assim chamado por sua cor de um ruivo vibrante.
A segunda versão surgiu por causa do avental "descampado":


Mantive o tecido estampadinho e bordei tudo em vermelho, exceto o gato, que não é um gato, mas uma gata - a Virgulina. Certo dia, a Helena e o Guto estavam no jardim. Viram uma pelotinha preta encolhida na grama. Era um gatinho bem novinho; a Helena disse que parecia um ponto. Seria seu nome: Ponto. Mas o pai viu que era uma gatinha. Então a Helena disse que podia se chamar Vírgula, que acabou virando Virgulina, apelidada depois de Bigo. 
Vamos ver o que mais virá com os novos desenhos. Foi bom recordar minha infância e brincar um pouquinho de boneca.
(por Cecilia)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O jardim de Frida nas nossas baldinhos

Frida Kahlo nasceu no dia 6 de julho de 1907. Morreu jovem, num 13 de julho de 1954, com 47 anos de idade. Não preciso falar da sua vida conturbada, sofrida, nem do seu relacionamento turbulento com Diego Rivera, um dos maiores pintores mexicanos. A Wikipedia nos dá um relato sucinto, mas rico, de sua vida. Foi na pintura que ela se refugiou, e ela mesma disse: "Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor". Por coincidência, no dia 6 de julho, a Helena postou no Facebook uma bolsa com a padronagem Jardim de Frida (Frida Kahlo Garden, do Alexander Henry), recém terminada:




"Tengo ganas a vivir/ya comencé a pintar"


Frida Kahlo permanece viva, não só nas suas pinturas, mas também em diversas citações, filmes e ... nos tecidos. Não é incrível?
Alguns exemplos (poucos, pouquíssimos):
Adriana Calcanhoto, na sua canção Esquadros, diz: "Eu ando pelo mundo prestando atenção/ em cores que eu não sei o nome/ Cores de almodóvar/ Cores de Frida Kahlo, cores"...

Salma Hayek deu vida a Frida no filme de 2003, indicado ao Oscar:

A banda inglesa Coldplay lançou, em 2008, o álbum Viva la Vida or Death and All His Friends, cujo título é inspirado em um quadro de Frida, também intitulado "Viva La Vida"  Segundo o vocalista Chris Martin, o título foi escolhido devido ao otimismo de Frida, mesmo com os percalços percorridos pela artista, ao exaltar a vida no referido quadro. 

Museo Frida Kahlo (La casa azul) - http://www.museofridakahlo.org.mx/

Encontrei este cartaz, de uma empresa (creio eu), chamada Niniska Arte Production, de Los Angeles, de 2012, no qual se convida para um show:


E por aí vai. No link da Wikipedia, que coloquei lá em cima, há uma lista de outras manifestações culturais. 
Parodiando Caetano Veloso: 
Que mistério tem a Frida/ pra guardar-se assim tão firme/No coração?
(por Cecilia)



terça-feira, 10 de junho de 2014

Minha almofada nova

Este é o meu primeiro trabalho, com base naquele desafio de bordado livre da Nina Dias. Falei sobre esse desafio aqui, e fui mostrando os resultados em mais duas postagens : aqui e mais aqui. Quando terminei de bordar, pensei que faria uma colcha. Mas, aos poucos, navegando pela rede, encontrei tantos trabalhos lindos, que repensei minha decisão. Além disso, estava ansiosa por fazer algo interessante com os blocos.

Almofada

Os riscos são da Anni Downs, uma artista australiana, que tem um blog maravilhoso ( Hatched and Patched), que vale a pena ser visitado. 

Almofada

Como é gostoso esse jogo de quebra-cabeças: juntar os retalhos vermelhos que já se tem naquela caixa onde vamos acumulando as sobras de outros trabalhos. Quem me conhece, sabe como gosto de aproveitar retalhos! Já estou pensando no que vou fazer com os outros blocos ...
A Nina Dias está com dois desafios novos. É só dar uma olhada no seu blog Tecidos Floridos. Estou esfregando  as mãozinhas nervosas, quase enfrentando novo desafio!
(por Cecilia)