sexta-feira, 26 de março de 2010

Um retalho da minha infância

Não sou amante de música sertaneja. Sou mulher de cidade, urbana, urbaníssima, urbanérrima. Parece incrível que uma canção sertaneja faça parte da minha infância, sendo, portanto, um retalho da minha colcha existencial. Já falei sobre isso de colcha existencial, aqui. Quem me fez revirar o fundo do baú das recordações foi a Carol, do Entrelaçando chiconuelas. Já falei que fomos sorteadas na comemoração que ela fez pelos dois anos de blog. Quando recebi a caixa com os prêmios e vi escrito o nome da cidade de onde veio - Matão - voltei à infância, à época do rádio, à figura de minha mãe perto do aparelho, ouvindo as novelas, as músicas, os programas de auditório. Os nomes famosos - César de Alencar, Paulo Gracindo, Renato Murce, Ari Barroso; os cantores - Emilinha, Marlene, Dalva ... E Carlos Galhardo - a voz orgulho do Brasil - cantando ... Saudades de Matão. Bom, estou vendo na Wikipédia que o nome é Saudades de Matão; no entanto, eu me lembro de que dizíamos Saudades do matão (ponho "matão" com minúscula, porque, na minha cabeça de menina, não cabia a ideia de que se pudesse ter saudades de um matagal, um mato grande, um matão). Só quando a mamãe me explicou que se tratava de uma cidade foi que entendi o título. Agora, por causa da Carol, do Chico, da Manuela, fui dar uma olhada mais acurada e conhecer Matão virtualmente. Aprendi também que Saudades de Matão é uma valsa composta em 1904, por Jorge Galati, que, na época era maestro da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Toda a história dessa valsa está aqui. A gravação de Carlos Galhardo é de 1941; há muitas outras gravações, entre elas esta, com Inezita Barroso. No You Tube tem um bocado de gravações. Achei também uma partitura, aqui.  E a letra, aqui. Aprendi, também, que Matão é famosa pelos tradicionais tapetes de vidro moído, serragem e flores, confeccionados nas ruas, por ocasião da festa de Corpus Christi. Vejam o conjunto e um detalhe de um desses tapetes:

As fotos são do Portal Process

Obrigada, Carol, por esse retalho que andava esquecido lá no fundo do meu baú de recordações.
( por Cecilia, em mais um momento de elucubração)

10 comentários:

Anna disse...

Oi Cecília!
Que lindo esse tapete! Tapetão né?
Lembrei de uma pessoa que talvez vc tenha conhecido, Leda Migon.
Vc lembra desse nome?
Beijos!

Cris Rosa disse...

oi Cecília!
Que linda recordação!!!!
E que bela pesquisa vc fez,hein?

Quero convidar vc para o sorteio do meu blog,passa por lá, tá?

bjkas

Cris Rosa disse...

Oi querida!
Prometo que se vc e a Helena ganharem o sorteio cada uma leva uma camiseta, tá?

Bjkas

Nanci M.dos Santos disse...

Ah, falando em valsa antiga, eu tenho uma historinha. Meu nome, Nanci, foi uma homenagem que meu pai fez para Francisco Alves que cantava uma valsa com esse nome. Como ele faleceu, precocemente, de acidente de carro, no mês anterior ao me nascimento, meu pai me registrou como Nanci.
E o mais legal é que comprou o vinil de 38 rotações que durou 17 anos e acabou quebrando quando nos mudamos de S.Paulo para S.Caetano.
Lindos esses trabalhos que fazem nas ruas de algumas cidades brasileras! bjs

Cecilia e Helena disse...

Nanci, eu me lembro: "Ouve esta canção, que fiz pensando em ti. É uma (revelação/declaração?), Nanciiii".
Abraço da Cecilia.

Nanci M.dos Santos disse...

Cecília, acredita que até me arrepiou quando li a letra toda da música que vc colocou no meu blog? Eu acho que me saudoso pai, além da homenagem que fez ao "rei da voz", ele me fez muito feliz pq adoro meu nome, e olha que eu acho super complicado essa história de escolha de nomes pq muitas vezes a pessoa passa a vida insatisfeita com ele, mas não é o meu caso.
Quanto a essa paixão que está tomando conta de mim com os tecidos eu te digo que, embora esteja apenas iniciando, eu estou amando! um grande beijo!

Entrelaçando Chiconuelas disse...

Oi Cecilia que lindo tudo que você escreveu, estou muito feliz e emocionada.Amo essa música e nas escolas daqui de Matão ainda se ensina as crianças...isso é bom,pois assim a música que faz parte da história da cidade não se acaba.
Quanto aos tapetes são lindos por demais, ainda hoje nos meus 33 anos não me canso de ver, admirar e sentir orgulho da minha querida Matão.

Beijo grande e com muito carinho

Carol

Paula Louceiro disse...

Cecília que legal isso né? É muito bom recordar esses momentos. Fiquei aqui olhando as fotos e lembrei da minha adolescência, que passei na cidade de Ubá/MG. Lá eles também fazem esses tapetes, mas não usam vidro, costumam usar flores, folhas, arroz, feijão, pó de café, serragem, esse tipo de coisa. Nunca vou esquecer, porque o pessoal vai de madrugada pra rua pra preparar tudo, deixar tudo perfeito até o momento da procissão passar...
É muito lindo!!!
Viu só, vc também me fez lembrar de um retalho do passado, rs.
Bjoka

Nilda Biagio disse...

Olá Cecilia
Me identifiquei muito com seu post...vivi tudo isso que vc descreve...muita saudade!!!
Bj
Nilda

Dricca Kastrup disse...

Agora quem viajou até a infância sem escalas fui eu... Vovó exigia silêncio na hora da novela da rádio. A gente se sentava na mesa da copa e ficava ali, ouvindo... Isso tem cheiro de bolo assando, delícia! Obrigada! :)))

bjobjo