Esta postagem é para quem já estava sentindo a falta das minhas aventuras pelo mundo do corte, costura e modelagem de roupas. Estou há três semanas fora de combate, por conta
daquela bendita cirurgia (sim, descobrimos que o tal "carocinho" era "do bem", nas palavras da minha pequena Heloísa) e, antes de sair de licença, fui incumbida, pela querida
"tia" Sandra, de alinhavar todas as peças, já cortadinhas, do meu casaco de lãzinha. Volto às aulas neste sábado. O lindinho vai ser todo forrado com alpaseda (forro brilhoso de alfaiataria), mas não vai ter gola, pois ainda não aprendi a fazer!

A frente do corpinho já tinha sido alinhavada e costurada à máquina durante a última aula. Foi a primeira vez na vida que fiz uma costura curva:
As mangas, alinhavadas, só esperando para serem encaixadas (não tenho a menor ideia de como fazer isso... vai ser meu 'début'):
Forro das costas, em alpaseda, alinhavado:
Achei meio difícil alinhavar a alpaseda, que é bastante escorregadia. Mas como as coisas podem ser bem piores, imagino como não deve ser difícil costurá-la à máquina! Meeeeedo!
Acredito que muita gente odeie alinhavar ca-da peça que vá ser costurada à máquina, mas eu prefiro encarar essa etapa como uma oportunidade para exercitar a minha paciência. O 'exercício' dá um pouquinho de dor nas costas, mas, no final, compensa. Não quero soar piegas nem nada, mas, é durante essa etapa que fico saudosa de uma pessoa que nem cheguei a conhecer: meu bisavô paterno Arnaldo, alfaiate na pequena aldeia de Almofala, norte de Portugal. Fico imaginando ele lá, cortando os tecidos com aquelas tesouras antigas enormes e pesadas, e cosendo (como eles dizem) tudo, tudinho, à mão. Fico imaginando também o quanto a vida por lá ficou difícil, o que culminou na sua decisão de se mudar com a família, passando a exercer o seu belo ofício do outro lado do oceano, no Rio de Janeiro.
(por Helena)