terça-feira, 29 de junho de 2010

Arrumando as estantes


acornfineart.com/brennan.html
Enquanto a Helena vai ali e já volta, continuo por aqui, na tarefa aparentemente interminável de arrumar meus livros. Depois do lerê lerê lá de Brasília, voltei ao Rio decidida a organizá-los (quando fui para lá já sabia que essa seria minha tarefa ao voltar), desfazer-me de alguns - quer dizer - fazê-los circular. Vamos ser sinceras, há livros que sabemos que não vamos voltar a ler. Então, por que mantê-los na estante, quietinhos, sem poderem espalhar pelo mundo a razão de existirem? Há livros que lemos, relemos mil vezes. Mas há outros que lemos e guardamos, sabendo que não vão mais ser abertos. Podem interessar a outras pessoas, não é mesmo? Quando estava dando aulas, ganhava muitos livros didáticos, principalmente de espanhol. Penso que poderão ser úteis para outros colegas, que ainda estão na labuta. Há romances que sei que não vou reler, por um motivo ou outro (em compensação, há alguns sem os quais minha vida seria menos agradável). Estou arrumando, separando, recolocando nas estantes aqueles que quero que continuem comigo. Enquanto isso, o lerê lerê artesanal vai esperando um pouquinho. Abri exceção para a Helô que me pediu meias de lã "porque só consigo dormir com as meias que a vovó faz". Daqui a alguns dias volto à ativa. Mas antes da volta da Helena ainda apareço por aqui. Como diz a Helô: "Beijo, ciao, abraço".
(por Cecilia)

domingo, 27 de junho de 2010

Vou, mas volto!

Gente, tô boba mesmo, com um sorriso de orelha a orelha, e não nego. Vou ali e já volto, num país de contos de fadas (vou guardar segredo por enquanto), falar pros gringos sobre uma língua indígena brasileira. Por isso, ficarei uns diazinhos fora do ar, esperando que crafty-mom cuide bem direitinho do nosso blog. Prometo que volto cheia de novidades.


Rapaz Tapirapé com sua filha. Foto: arquivo da Prelazia de São Félix, 1970.

 A Aldeia Tapirapé Urubu Branco tem um blog. Confira aqui.
(por Helena)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Experimentando: going crazy

Os experimentos com tecidos e linhas continuam... ontem um novo mimo saiu do forno!
Neste, apliquei a técnica do crazy quilting, que consiste em ir bordando, sem muita lógica, ao longo do patchwork. 

Going crazy

Agora, insano mesmo é o trabalho de rebordar toda a costura lateral da almofadinha. Mas o efeito que dá faz o esforço valer a pena!

Going crazy

 As florzinhas de crochê foram feitas por crafty-mom (recebi, pelo correio, um envelope com 50 delas!) e aplicadas por mim. Gostei do resultado!

Going crazy
(por Helena)

domingo, 20 de junho de 2010

Mulheres de serventia

Outro dia, aula encerrada, um aluno foi à minha mesa e disse: "Professora, você é uma mulher de serventia!". Contextualizando melhor: meu aluno é um jovem africano, que, olhar atento, observou que, enquanto eu aplicava prova, acalmava minhas mãozinhas nervosas bordando letrinhas em um pedaço de pano. Eu: "Como?". Ele: "É, a senhora trabalha fora, mas sabe bordar... isso é  'mulher de serventia'. As mulheres de hoje não sabem fazer essas coisas". Eu, tentando disfarçar o embaraço, disse: "Ah, tá. Mas aqui no Brasil a gente diz que a moça é 'prendada'". Mudei de assunto na hora, mas, inevitavelmente, me lembrei daquela discussão que tivemos aqui, há alguns posts atrás, sobre a conotação da palavra "Amélia". Seríamos amélias modernas, ou a palavra ainda carregaria um ranço pejorativo, tendo de ser substituída por uma outra menos estigmatizada? Eu, por exemplo, bordo e costuro, mas quem se encarrega do menu e das refeições dos fins de semana aqui em casa, por exemplo, é meu marido. E detalhe: apesar de ter mãe e avó (in memoriam) super-hiper-mega crafty, nunca tinha costurado nada até abril do ano passado, quando veio parar aqui em casa uma Toyota made in China, daquelas bem velhinhas. A máquina deu pau, mas, eu, viciada que estava, mandei vir de Sumpaulo uma Singer novinha, meu bebezinho lindo. E bordar, comecei a praticar tem mais ou menos três meses, sob a orientação de uma professora mais que especial: a 'tia' Ana. Portanto, não me acho amélia, se é que o termo continua valendo.

 http://recoveringiowan.com


Brasília, 19 de junho de 2010. Manhã ensolarada de inverno brasiliense. Cinco meninas se juntam numa sala para... bordar! Levei a Helô (e uma amiguinha, por tabela), oito anos, para a sua primeira aulinha de bordado. Por quê? Por que quero que ela seja uma "mulher de serventia"? Não sei, talvez... mas, principalmente, porque bordar é muito bom, e ver uma imagem surgir num pedacinho de pano, das nossas próprias mãos, é muito gostoso! Se ela vai seguir bordando? Não sei, mas quero que ela conheça, na medida do possível, todas as suas potencialidades, pra poder escolher o que vai ser melhor pra ela.

 Foto: Ana Vergara

Meninas bordadeiras
Dedinhos minúsculos em ação!


Mudando um pouquinho de assunto, mas só um pouquinho: já leram o livro em quadrinhos Bordados, da iraniana (impagável) Marjane Satrapi? Abaixo, transcrevo parte do texto da contracapa:

O "bordado" é o equivalente iraniano do "tricô" brasileiro. Mas, além dos mexericos, a expressão tem também uma acepção muito particular: a cirurgia de reconstituição do hímen, um procedimento adotado pelas mulheres que precisam negociar entre as exigências do próprio desejo e o moralismo que impera no país dos aiatolás (...) Reunidas em torno do samovar, o tradicional bule de chá iraniano, as personagens de Marjane desfiam suas experiências amorosas e sexuais".

  
Me digam se não deu vontade de sair correndo pra comprar o livro?
(por Helena)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Revisitando "São João no Porto"

Naquela viagem que fiz ao norte de Portugal, uma das mais agradáveis surpresas ficou por conta da linda tapeçaria exibida no bar do Hotel Mercure, no Porto (falo sobre ela nesta postagem, de novembro de 2009):

São João no Porto


As festas juninas chegaram ao Brasil com nossos descobridores. No entanto, a tradição de celebrar o mês de junho remonta aos tempos pagãos, quando, no hemisfério norte termina a primavera, e começa o verão, tempo das colheitas. As fogueiras eram acesas para afugentar os maus espíritos e impedir que eles estragassem as plantações. Na Idade Média, com o Cristianismo, permaneceu a tradição da fogueira, que seria o sinal dado por Isabel a sua prima, Maria, para anunciar-lhe o nascimento de João Batista. Aqui há muito mais informação sobre a festa, que antes era chamada de joanina.Hoje temos até festas julinas!
Bom, o que acontece é o seguinte: todo mês de junho me lembro muito do meu irmão mais velho, já falecido, o Zequinha. Quando eu tinha uns quinze anos, fiz uma simpatia, que consistia em escrever nomes de rapazes em papeizinhos e colocá-los em uma vasilha com água. Na manhã seguinte, o nome escrito no papelzinho aberto seria o nome do rapaz com quem eu me casaria. Para minha surpresa, todos os papéis estavam abertos! E eu chorava e dizia pra mamãe: "Eu não vou me casar! Vou ficar solteirona!" Foi aí que meu irmão confessou: "Eu estava procurando o nome do Plínio" (meu namoradinho na época); "então tive de ir abrindo os papeizinhos!" Foi uma risadaria só!
E também é quando me lembro das aulas de História da Música e da decoreba dos versos que deram origem aos nomes das notas musicais:
Ut queant laxis
Resonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum
Solve polluti
Labii reatum
Sancte Ioannes
E não é que ainda sei de cor? Mas a tradução olhei na Wikipédia, que tem também as informações sobre Guido d'Arezzo, o criador dos nomes das notas:
Para que teus servos possam ressoar claramente a maravilha dos teus feitos, limpa nossos lábios impuros, ó São João.
Depois, para facilitar o canto, o Ut passou a Dó, de Dominus.
É isso aí. Eu sempre acabo elucubrando; não tem jeito.
Bom divertimento, muita broa de milho, pamonha, cocadas, amendoim ... e muitos festejos!

São João, São João...
(por Cecilia)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Vida de gato

Às vezes quero ser gato...

Vida boa

(por Helena, debruçada sobre uma pilha de provas)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Encontro no sul


Gente, achei que este post não iria sair nunca! Desde que cheguei de São Leopoldo, colei meu bumbum, sim, na cadeira do computador, mas foi para tratar de assuntos outros... trabalho, como sempre. Nerdy girl, esse é o meu nome. Já estou articulando os próximos congressos :)))))))
   
"O quê? Você acabou de escrever 'zigomorfia'? Assim eu apaixono!"
http://theblackspiderman.xanga.com

Fiquei morrendo de vergonha das queridas Rosana e Laély, que, tão atarefadas quanto eu, já contaram as suas histórias, e de maneira tão primorosa. A gente lê e pensa que está lá, tal a riqueza de detalhes. Quem ainda não se emocionou com o texto da Laély sobre a nobre prática da gentileza, tem de fazê-lo urgentemente! Bato palmas também para a minha querida Rosana, que tão bem descreveu seus/nossos encontros “sul-reais” nesse post aqui. Amigas, agradeço por cada segundinho que tivemos juntas... adorei-adorei-adorei!

Helena, Laély e Rosana
Foto: Vicente Sperotto

Como não levei máquina fotográfica (mas deveria, mea culpa, mea culpa!) brinquei, durante a nossa despedida, que tiraria uma foto mental das duas (click-click). A foto acima foi tirada pelo Vicente, filho da Rosana, nosso querido e talentoso chef. Fui ao Flickr dar uma conferida, e vi que ele já publicou as fotos... de dar água na boca! Quem aqui já comeu farofa de erva-mate? Ou purê de mandioquinha com chocolate branco? AMO essas ‘loucuras’ culinárias... AMO comida fusion, desde que, como ele brincou, ela não vire uma confusion!


Mas vamos ao que interessa: a sobremesa!

E, como nos últimos dias, temos nos ocupado da palavra ‘gentileza’, registro aqui o lindo e delicado presente que ganhei da Rosana: uma mandala, feita por ela, na minha cor favorita (detalhe que ela desconhecia), o lilás.
  
Presente

O folheto explica que o violeta simboliza a dignidade e a sabedoria, energia espiritual. É, a gente tenta...

Minha impressão sobre o povo são leopoldense? Que povo séeeeerio! Mas que fique bem claro... não se trata de crítica, e, sim, constatação. E se for sério pro bem, sério pra ter uma universidade com toda a infra da UNISINOS, sério pra ter transporte público de qualidade, com metrô na porta e ônibus circular gratuito pro alunado... então, tá valendo!
(por Helena)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A culpa é da Laély


 Na mais recente postagem da Laély, no seu Sala da Lá, ela diz o seguinte:
"Não deu pra me aprofundar na etimologia da palavra gentileza (e alguma professora de gramática poderia até nos fazer a gentileza de explicar). Faltou a teoria, mas tive muitas aulas práticas, durante a última semana. Cheguei a uma conclusão e, mesmo que a etimologia não o confirme: o que está no centro da palavra em questão é gente!"
É Laély, você tem razão. Embora eu diga que a culpa é sua, só tenho de agradecer a você por  me possibilitar mais uma elucubração (quem me conhece sabe que eu adoro elucubrar). Só para esclarecer: assim como a Medicina tem suas diversas especialidades, a Gramática também tem as suas. A parte da Gramática que se dedica ao estudo etimológico e aos diversos significados das palavras é a Lexicologia, ou seja, o estudo das palavras de um determinado idioma, de acordo com seus elementos de formação. Nossa!Tá muito professoral, né? Mas... quéquieu posso fazer?
Então, vamos ao que interessa:
Gentil vem do latim gentilem, que significa 'pertencente a uma família' ( de gens, todos aqueles que descendem de um ancestral comum - quem quiser saber mais, clica aqui). Em seguida, por extensão, passa a significar 'de boa família', 'de boa origem'. Assim, o adjetivo gentil conserva seu sentido etimológico, que é o de 'bom nascimento'. Essa noção de elite, de aristocracia, pode ser aplicada ao domínio moral - nobre de sentimentos, por seu comportamento - e  também ao domínio das relações humanas - delicado, amigável.
Então,o substantivo  gentileza, derivado do adjetivo gentil,  corresponde a uma ação que indica urbanidade, cortesia, amabilidade, delicadeza ...
Ai, vou parar por aqui, porque tem muito mais, muito mais. Só um pouco mais - a raiz -gen- dá origem a muitíssimas outras palavras, que, em geral, têm a ver com "nascimento".
Existe outra utilização do vocábulo gentil, mas como substantivo, significando os pagãos, os que não eram cristãos, e, antes, os não-judeus. E por aí vai ...
A palavra gentileza nos faz sempre lembrar o Profeta Gentileza , autor da frase "Gentileza gera Gentileza". E Cícero, grande orador romano, já dizia que "gentileza recebe-se com gentileza".
Algumas frases que encontrei na Web (sem indicação de autor):
A gentileza é a nobreza da inteligência.
A gentileza é a linguagem que um surdo pode ouvir e que um cego pode ver.
Posso me defender da maldade, mas não posso me defender da gentileza.

Sabem o que eu acho? Que gentileza é um ato de amor. E querem saber? A postagem da Laély está um primor de amor ao próximo!
 (por Cecilia)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Presente virtual da Andrea Guim

 
Quero agradecer o presente virtual que a Andrea Guim me deu. Na postagem Achados do meu Blogroll, ela fez uma simpática montagem com os meus mimis - a bonequinha e o bonequinho - e os estojinhos de tecidos coloridos. Faço um convite para que deem uma passadinha lá e confiram a belezura da foto. Obrigada, Andrea, pelo afago. Quem não fica feliz quando apreciam e reconhecem seu trabalho?
(por Cecilia, toda derretida)

sábado, 5 de junho de 2010

Projetos do fim de semana prolongado

Hoje consegui, enfim, terminar esta almofada, que vai de presente de aniversário (atrasado) para uma amiga que é parenta da Cora Coralina! É, aquela viagem a Goiás continua me inspirando!

Almofadinha
Unindo duas paixões: patch e bordado! E esse grelô... eu tava louca pra usar!

Goiás-GO
Goiás Velho... quero voltar!

 Também ando viciada em fazer esses minúsculos "penduricalhos de tesoura" (scissor fobs). É um baita treino de paciência. Fiz um para a minha filha e, agora, ela quer que eu faça um pra cada uma das melhores amigas. OK, vou fazer esse sacrifício (*risos*).

Mimos

Mimo

Mimo

Mas atenção: o vício é contagioso. Minha fofolete de 8 anos já está ensaiando seus primeiros pontinhos, e já está contando os dias para a primeira aula de bordado com a tia Ana.

Primeiros pontos
Heloísa, 8 anos

 Amanhã viajo a trabalho para o Sul e, de quebra, vou conhecer nossas amigas Rosana e Laély (esta última, por uma ironia do destino, vai descer a serra capixaba pra subir a serra gaúcha bem na época em que estarei lá)... como diz a Rosana, parece tudo tão surreal! Virtual, real, surreal... tem diferença?
(por Helena)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Encontro de quilteiras

No sábado passado, Helena e eu tivemos visitas. A Andréa, do Casa de Reboco, levou a mãe dela, a Carmen, que também trabalha com os tecidinhos. As duas trouxeram trabalhos maravilhosos!

Toda orgulhosa, Andréa exibe a sua criação... linda!

Olhem só a manta que a Andréa fez para a xará da minha Helena, filha da Daniela Kodaira, do Chez Mayumi. No Casa de Reboco tem mais detalhes, como por exemplo, a etiqueta da manta, com bordado da Helena (a minha) e uma aplicação da Andréa.
Na foto de baixo, as duas mamães orgulhosas mostram a manta feita pela Carmen. As borboletas e suas cores arrasaram!
Foi uma tarde agradabilíssima - um quilting bee - como dizem a Andréa e a Helena. Trocamos ideias, aprendemos umas com as outras.
Já estou de volta ao Rio , "trazendo na mala bastante saudade"; a Carmen também já deve ter voltado pra Marília. Foi muito bom estarmos de visita a Brasília na mesma época. Pudemos nos conhecer. E foi um encontro maravilhoso! O curioso é que na 2ª-feira (31/5), Andréa, Carmen e eu nos encontramos por acaso na W-3 Sul, em busca de armarinhos e casas de tecido. Não encontramos muita coisa, não. Mas pra quem quiser saber, há uma loja com muitos tecidos para quilting na 509 Sul, se chama Casa Panamericana.

Crafty-moms reunidas (ass. Helena)

(por Cecilia)